A
carta de despedida de Obama
Barack
Obama
Aos
escassos minutos de tornar: antigo Presidente dos Estados Unidos da América.
Obama deixou uma carta de despedida na página oficial da Casa Branca, na qual
agradece, uma vez mais, o contributo e influência que os norte-americanos
tiveram no seu mandato.
Obama,
que deixa o cargo ao fim de oito anos, e que hoje foi substituído por Donald
Trump, relembra as vitórias, mas também as derrotas vividas durante o período
em que esteve em frente à Casa Branca.
A
carta é endereçada à Trump, mas também, serve de reflexo sobre o que foram os
anos de Obama em Washington. A seguir, a carta na íntegra:
My fellow Americans,
It's a long-standing tradition for the sitting
president of the United States to leave a parting letter in the Oval Office for
the American elected to take his or her place. It's a letter meant to share
what we know, what we've learned, and what small wisdom may help our successor
bear the great responsibility that comes with the highest office in our land,
and the leadership of the free world.
But before I leave my note for our 45th president, I
wanted to say one final thank you for the honor of serving as your 44th.
Because all that I've learned in my time in office, I've learned from you. You
made me a better President, and you made me a better man.
Throughout these eight years, you have been the source
of goodness, resilience, and hope from which I've pulled strength. I've seen
neighbors and communities take care of each other during the worst economic
crisis of our lifetimes. I have mourned with grieving families searching for
answers -- and found grace in a Charleston church.
I've taken heart from the hope of young graduates and
our newest military officers. I've seen our scientists help a paralyzed man
regain his sense of touch, and wounded warriors once given up for dead walk
again. I've seen Americans whose lives have been saved because they finally
have access to medical care, and families whose lives have been changed because
their marriages are recognized as equal to our own. I've seen the youngest of
children remind us through their actions and through their generosity of our
obligations to care for refugees, or work for peace, and, above all, to look
out for each other.
I've seen you, the American people, in all your
decency, determination, good humor, and kindness. And in your daily acts of
citizenship, I've seen our future unfolding.
All of us, regardless of party, should throw ourselves
into that work -- the joyous work of citizenship. Not just when there's an
election, not just when our own narrow interest is at stake, but over the full
span of a lifetime.
I'll be right there with you every step of the way.
And when the arc of progress seems slow, remember:
America is not the project of any one person. The single most powerful word in
our democracy is the word 'We.' 'We the People.' 'We shall overcome.'
Yes, we can.
TRADUÇÃO
“ Caros americanos:
É tradição
que o Presidente em função dos Estados Unidos deixe uma carta de despedida na Sala
Oval para o presidente eleito que vai tomar o seu lugar. A carta serve para
partilhar o que sabemos, o que aprendemos e qualquer conhecimento que ajude o
sucessor a enfrentar a grande responsabilidade associada ao posto mais alto da
Nação e liderança do mundo livre.
Porém,
antes de deixar o recado para o 45.º Presidente, quero deixar um último
obrigado pela honra que foi servir como o 44.º. Porque tudo o que aprendi no
tempo em que estive em funções aprendi convosco. Fizeram de mim um Presidente e
um homem melhor.
Durante
estes oito anos, foram a fonte da bondade, resiliência e esperança, onde
encontrei força. Vi vizinhos e comunidades ajudarem-se mutuamente durante a
pior crise das nossas vidas. Enlutei-me com famílias em busca de respostas – e
encontrei fé numa igreja em Charleston.
Encontrei
forças na esperança de jovens licenciados e novos oficiais militares. Vi os
nossos cientistas ajudarem um homem paralisado recuperar o toque e guerreiros
feridos, dados como mortos, voltarem a andar. Vi americanos cujas vidas foram
salvas porque, finalmente, tiveram acesso a cuidados médicos e famílias cujas
vidas mudaram porque os seus casamentos foram reconhecidos como iguais aos
nossos. Vi as mais pequenas crianças lembrarem-nos, através das suas acções e
generosidade, da nossa obrigação de ajudar os refugiados, ou lutar pela paz, e,
acima de tudo, tomar conta uns dos outros.
Vi o povo
americano, em toda a sua decência, determinação, bom humor e bondade. E nos
vossos actos de cidadania, vi o nosso futuro desabrochar.
Todos nós,
independentemente do partido, devemos empenhar-nos nesse trabalho – o
satisfatório trabalho da cidadania. Não só quando há eleições, não só quando os
nossos interesses estão em jogo, mas durante o tempo de uma vida.
Estarei lá
convosco ao longo do caminho.
Quando o
progresso parecer lento, lembrem-se: a América não é um projecto de uma
qualquer individualidade. A palavra mais forte da nossa democracia é: 'Nós'.
'Nós, o povo'. 'Nós vamos ultrapassar'.
Sim, nós
podemos."