HRW
denuncia violações de direitos humanos em Moçambique
A Human Righs Watch (HRW)
alertou ontem Sexta-Feira 13 para o aumento das violações de direitos humanos
em Moçambique, devido ao conflito militar entre Governo e Renamo, apontando
abusos às duas partes, execuções sumárias e assassínios politicamente
motivados. Segundo esta organização (HRW), as forças de segurança do Governo “foram credivelmente implicadas em
abusos nas operações contra a Renamo”, incluindo execuções sumárias e violência
sexual, que levaram milhares de pessoas a abandonar o país.
“Refugiados moçambicanos no
Malawi disseram que soldados de uniforme, alguns conduzindo veículos do
exército, executaram sumariamente habitantes masculinos na província de Tete em
fevereiro de 2016, ou amarraram-nos e levaram-nos para locais desconhecidos”, segundo testemunhas citados pela HRW, que apontaram
também incêndios de casas, celeiros e campos de milho de residentes na região,
acusados de alimentar os guerrilheiros da Renamo.
“As violações de direitos
humanos aumentaram em Moçambique em 2016, devido a uma tensão crescente e
confrontos armados entre o Governo e o antigo movimento rebelde, actual partido
político, Renamo”, afirma o
relatório anual da organização internacional, ontem divulgado.
No seu discurso do estado da nação, a 19 de Dezembro, o Presidente da
República reiterou “não haver evidências
das alegadas violações dos direitos humanos” sobre os moçambicanos no
Malawi, contrariando denúncias de várias organizações internacionais e do
próprio Alto-Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados.
A Renamo, por sua vez, segundo a HRW, “também
cometeu abusos”, nomeadamente ataques contra centros de saúde, “saqueando remédios e suprimentos e
destruindo equipamentos médicos”. A organização cita um relatório da Liga
dos Direitos Humanos de Moçambique, que em Abril também denunciou execuções
sumárias por parte das forças do Governo, mas igualmente abusos cometidos por
combatentes da Renamo.

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