sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

REINO UNIDO PRETENDE SAIR DO MERCADO ÚNICO EUROPEU


BREXIT compromete acesso de Moçambique ao mercado europeu

Finalmente, a primeira-ministra britânica, Theresa May, apresentou, esta semana, um plano de saída do Reino Unido da União Europeia (UE). Uma das questões mais discutidas e alvo de especulação desde o resultado da votação, no ano passado, era se o Reino Unido continuaria a fazer parte do mercado comum europeu. Mas a primeira-ministra foi categórica: isso não vai acontecer.
“Permanecer no mercado significaria aceitar os regulamentos do bloco sem ter voz no estabelecimento deles”, disse a governante, prometendo, no entanto, fazer pressão para ter o maior acesso possível ao mercado europeu. Segundo May, participar da união aduaneira (área de livre-comércio com tarifas externas comuns) impediria que o Reino Unido pudesse negociar seus próprios acordos com outros países.

 REDUÇÃO DA AJUDA PARA ÁFRICA
O Reino Unido é membro da União Europeia, um dos doadores do Orçamento directo do Estado moçambicano e financiador de várias iniciativas sociais e não só. A UE instituiu um mercado comum, através de um sistema padronizado de leis aplicáveis a todos os Estados-membros.
“Tendo em conta a posição do Reino Unido na UE, sendo um dos doadores mais consistentes, mas também um dos países que mais contribui para o orçamento da UE para ajudas e desenvolvimento, a saída teria um impacto substancial não só no montante que é dado em ajudas para o desenvolvimento para a região da África subsaariana, mas também na forma como é gasta e na sua eficácia”, disse à Deutsche Welle Uzo Madu, analista britânica de ascendência nigeriana.
IMPACTOS NO COMÉRCIO PARA ÁFRICA E MOÇAMBIQUE

Actualmente, as relações comerciais entre a UE e África são estipuladas pelo Acordo de Cotonou, assinando em 2000, e por uma série de Acordos de Parceria Económica entre a UE e as Comunidades Económicas Regionais. Saindo o Reino Unido da UE, não terá quaisquer obrigações com as leis da organização e a sua relação, económica ou política, com outros países, incluindo Moçambique, deverá ser independente e poderá passar por possível reestruturação, para alterar a regulamentação vigente no organismo europeu. Aliás, um dos pressupostos da primeira-ministra britânica, para a não participação do Reino Unido na união aduaneira, foi a possibilidade de o país não criar suas próprias leis em relação a outros mercados.

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