PGR ainda está a analisar relatório de auditoria da Kroll
A procuradora-geral da República, Beatriz Buchili, diz que a
instituição está atenta à ansiedade do povo sobre o esclarecimento dos factos
nos processos de contratação da dívida pública, vincando estar em curso os
mecanismos de cooperação internacional para o devido esclarecimento.
Falando na abertura da X Sessão do Conselho Coordenador do
Ministério Público (MP), Buchili reconfirmou que a PGR recebeu o relatório de
auditoria da empresa Kroll e “estamos a concluir os
trabalhos de verificação da sua conformidade com os termos de referência,
porque a auditoria foi solicitada para, tecnicamente, auxiliar as investigações
nos termos da instrução preparatória em curso”. Beatriz Buchili diz que
PGR está atenta à ansiedade do povo sobre o esclarecimento dos factos no
processo da contratação da dívida pública
Beatriz Buchili aprofunda mais ao referir o que passamos a
citar:
“Precisamos de um relatório consolidado que, efectivamente, sirva de
suporte às nossas investigações, para além de as respectivas recomendações
poderem ajudar o país na adopção de reforço na gestão das finanças públicas”. “São processos complexos e que envolvem diversos
ordenamentos jurídicos, mas estamos a fazer de tudo o que se impõe e com o
recurso aos mecanismos de cooperação internacional, com vista ao esclarecimento
devido”, estamos a fazer o nosso melhor, no âmbito dos procedimentos acordados
com o auditor e renovamos o apelo para a serenidade e compreensão, pois,
conforme comprometemo-nos, iremos partilhar com o público os resultados da
auditoria, logo que concluído o trabalho em curso”. Fim de citação.
O relatório da auditoria internacional independente,
elaborado pela Kroll Associates UK às empresas Ematum, Proindicus e MAM, que
contraíram empréstimos entre 2013 e 2014 com garantias do Estado, foi
apresentado a PGR a 12 de Maio corrente.
As três empresas receberam empréstimos de bancos
internacionais, principalmente Credit Suisse e VTB da Rússia, de mais de dois
bilhões de dólares (Ematum 850 milhões; Proindicus 622 milhões e MAM 535
milhões).
Os três empréstimos adicionaram 20 por cento à dívida
externa de Moçambique, elevando-a a níveis insustentáveis.
Em Abril do ano passado, o Fundo Monetário Internacional
(FMI) suspendeu a sua assistência financeira a Moçambique após a descoberta
destes empréstimos não revelados no valor de 1,4 biliões de dólares. Mais tarde
o Banco Mundial tomou a mesma decisão. O Reino Unido e o G14, por seu turno,
decidiram suspender o apoio directo ao Orçamento do Estado até ao
esclarecimento dos contornos da dívida.
No Conselho Coordenador, que decorre sob o lema “Por um Ministério Público mais interventivo na defesa dos
direitos humanos e no controlo da legalidade”, a Procuradora Geral da República
disse ainda estar preocupada com os índices de criminalidade que têm se
registado no país e recomenda a instituição a ser mais célere na tramitação dos
processos que visam o controlo da legalidade.
Assuntos criminais no ano 2016
No que concerne aos dados apresentados referem que, no ano
passado, foram instaurados pouco mais de 61 140 processos-crime, contra 60 239
de 2015. Ainda em 2015, um total de 15 203 cidadãos encontravam-se em situação
prisional nos estabelecimentos penitenciários, contra 18 182 em 2016.
Com vista a inverter este cenário, Beatriz Buchili afirmou
ter chegada altura de o Ministério Público se questionar se está a dedicar as
energias necessárias na tramitação processual, bem como nas acções, visando o
controlo da legalidade.
Buchili afirma ainda que, num processo-crime, a acção do Ministério
Público, não deve esgotar-se apenas na instrução preparatória e no exercício
penal, mas também deve garantir um julgamento justo, o direito ao recurso,
cumprimento da pena e os direitos que assistem um cidadão condenado dentro ou
fora do estabelecimento penitenciário.

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