O analista da consultora Capital Economics John Ashbourne diz
que o país devia criar um fundo soberano para gerir as receitas do gás e
apostar mais na construção de infra-estruturas que diversifiquem a economia.
O que gostaríamos de ver era uma grande parte das receitas
do gás a serem usadas num fundo soberano, e mais investimento nas
infra-estruturas para ajudar à diversificação da economia”, disse John
Ashbourne.
Em entrevista à Lusa, em Londres, o analista reconheceu que
o processo de diversificação económica “é muito difícil para os países que
estão demasiado dependentes de uma só matéria-prima“, e exemplificou com o
Gana, que “é uma democracia pacífica e um país bem governado, e que mesmo assim
deu um enorme aumento aos funcionários públicos, deixou a economia
desestabilizar-se, o PIB cresceu e depois desceu, e por isso se o Gana teve
dificuldades não há razão para estar muito optimista que o sistema político de
Moçambique consiga gerir” as receitas do gás.
“Estou cépticos que consigam gerir bem as receitas“, vincou
o analista, sublinhando, no entanto, que “realisticamente é o gás que vai
decidir o futuro de Moçambique nos próximos cinco a 10 anos”.
Para John Ashbourne, “se os negócios do gás andarem para a
frente e o país crescer a 20% ao ano como prevê o FMI, o nível de dívida que
tem agora será relativamente pequeno face ao tamanho da economia daqui a 10
anos, por isso o nível de dívida pública hoje não é tão importante”. Questionado
sobre o futuro a curto prazo, tendo em conta a divulgação em breve do relatório
da auditoria da Kroll ao endividamento escondido do país, o analista confirmou
a importância do conteúdo do documento e previu que “deverá ser negociada uma
solução com os credores” que detêm os títulos de dívida pública e com os que
emprestaram dinheiro às duas empresas públicas que não estão a cumprir as
obrigações financeiras.
Não acho que vão entrar em ‘default’ em tudo, mas não vão
conseguir pagar tudo, será uma solução intermédia, e depende daquilo que os
credores vão aceitar, uma vez que a negociação é feita em bloco e não há uma
posição comum dos credores”, vincou Ashbourne.
Devido à falta de confiança nos números apresentados pelo
país, “as instituições internacionais e os credores estarão muito hesitantes em
confiar que a situação actual é a correcta porque já foram enganados antes, é
até possível que o relatório mostre mais dívida escondida”, concluiu.

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