Governo
e Eni assinam contratos para arranque do projecto de gás no Rovuma
Foi
formalizada, ontem, a decisão final de investimento no gás da bacia do Rovuma,
em Cabo Delgado, do consórcio liderado pela empresa italiana Eni. Os contratos
para o arranque das obras de construção da infra-estrutura que vai
operacionalizar a produção de gás natural em grandes quantidades foram
assinados, esta quinta-feira, pela ministra dos Recursos Minerais e Energia,
Letícia Klemens, e as empresas responsáveis pela exploração de reservas de gás
natural no bloco 4 da bacia do Rovuma. O acto foi presenciado pelo Presidente
da República, Filipe Nyusi, e por grande parte das empresas envolvidas no
negócio de hidrocarbonetos na província de Cabo Delgado.
Com os
contratos assinados, as empresas responsáveis pela execução do projecto de
transformação do gás natural para a venda, denominado FLNG de Coral Sul, têm a
luz verde para avançar. De acordo com o administrador delegado da empresa Eni,
Claudio Descalzi, a infra-estrutura a ser construída a partir de agora, estará
pronta, para produzir gás natural, daqui há cinco anos, ou seja, em pelo menos
60 meses. Nesta fase de construção, está previsto um investimento de 8 biliões
de dólares. Desse valor, 6 biliões de dólares serão financiados por 15 bancos.
“Este projecto é o primeiro e o único, até ao
momento, a nível mundial, que atingiu Project Finance no valor de seis mil
milhões de dólares. Isso é extremamente importante, não apenas, do ponto de
vista financeiro mostrar que é um projecto bastante robusto e porque, neste
momento de estrema dificuldade financeira a nível mundial, fomos capazes de
convencer 15 bancos, três nacionais e 12 internacionais para virem a Moçambique
financiar 6 biliões de dólares”, referiu o administrador delegado da companhia
italiana Eni.
“Foram vários anos de negociações, com
diferenças ultrapassadas, num equilíbrio de interesses das diversas partes por
cedências de posições por vezes difíceis. Compatriotas, minhas senhoras e meus
senhores, esta foi a solução possível encontrada…. Auguramos que o período de
construção, que ocorrerá nos próximos cinco anos, prossiga dentro dos prazos e
orçamentos estimados em benefício do povo moçambicano”, afirmou o Presidente da
República.
O projecto
FLNG de Coral Sul é dos maiores de África e do mundo, considera Claudio
Descalzi. O administrador delegado da Eni sublinha que o projecto vai mudar a
imagem de Cabo Delgado e do país em geral e que, a partir desta fase de
construção, o país estará no centro das atenções de praticamente todo o mundo.
“Moçambique
e em particular este projecto Coral Sul têm atingido vários recordes ao nível
mundial e o primeiro recorde é que este projecto flutuante é o primeiro de LNG
em África, vem a seguir de outros grandes produtores do mundo e é actualmente o
terceiro maior”, diz Descalzi.
A unidade
flutuante de gás natural liquefeito (FLNG – Floating Liquefied Natural Gas)
terá uma capacidade de cerca de 3,4 milhões de toneladas por ano. A construção
da unidade FLNG será financiada através de Project Finance cobrindo 60% do seu
custo total.
Para além de
Filipe Nyusi, Letícia Klemens e administrador delegado da Eni, participaram no
lançamento da fase de execução do projecto FLNG de Coral Sul, os presidentes
dos conselhos de administração das empresas concessionárias da Área 4,
nomeadamente, Wang Yilin da CNPC; Carlos Gomes da Silva da Galp; Seunghoon Lee
da Kogas e Omar Mithá da Empresa Nacional de Hidrocarbonetos (ENH).
Durante a
cerimónia foram assinados os contratos para a perfuração, construção e
instalação das instalações de produção, assim como os acordos entre as empresas
concessionárias e o Governo de Moçambique para o financiamento e o
enquadramento legal do projecto.
Este é o
primeiro projeto que irá desenvolver e colocar em produção quantidade
considerável dos recursos de gás descobertos pela Eni na Área 4 da bacia do Rovuma. Este
resultado foi alcançado em três anos desde a perfuração do último poço de
pesquisa, e em um país que está a entrar no mercado global de gás, apesar do
difícil cenário de preços dos últimos anos.
“À medida
que o mundo transita para uma combinação energética de baixa emissão de
carbono, a Eni acredita que o gás é o pilar para se alcançar um futuro mais
sustentável”, disse Claudio Descalzi. “A nossa ambição de nos tornarmos um
interveniente global integrado de gás e GNL baseia-se no trabalho com
parceiros-chave como Moçambique. O projecto de Coral Sul fornecerá energia
confiável, contribuindo para o desenvolvimento de Moçambique. Esta abordagem de
parceria com os nossos anfitriões é a base sobre a qual assenta a nossa
estratégia conjunta de crescimento sustentável.”
O campo de
coral, descoberto em Maio de 2012, está localizado na Área 4 e contém cerca de
450 bilhões de metros cúbicos (16 TCF) de gás no local. Em Outubro de 2016, a
Eni e seus parceiros da Área 4 assinaram um acordo com a BP para a venda de
todo o volume de GNL produzido pelo projecto de Coral Sul por um período de 20
anos.
A Eni é a
operadora da Área 4, através da sua participação na Eni East África (EEA) que
detém 70% da concessão, enquanto a portuguesa Galp Energia, a sul-coreana Kogas
e a moçambicana Empresa Nacional de Hidrocarbonetos (ENH) detêm 10% cada. A Eni
detém 71.4% de participações na Eni East África juntamente com a empresa
chinesa CNPC que detém 28,6%.
Em Março de
2017, a Eni assinou um acordo de venda de 50% das suas participações na EEA
para a ExxonMobil, acordo este que será concluído após a satisfação de um
número de condições precedentes, incluindo o aval do Governo moçambicano e
outras autoridades regulatórias.

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