O antigo
primeiro-ministro Mário Machungo defende que não se justifica que o relatório
sobre dívidas ocultas seja segredo
O antigo
primeiro-ministro, Mário Machungo, diz que não se justifica que o relatório da
Kroll sobre as polémicas dívidas da Ematum, ProIndicus e MAM seja segredo.
Machungo diz respeitar a soberania das instituições de justiça, entretanto,
avança que as instituições de direito “devem assumir as
suas responsabilidades e as dívidas devem ser conhecidas e, depois, encontrar
um mecanismo que não seja muito pesado nem para o orçamento nem para o povo
moçambicano”.
O antigo
governante, que falava na passada terça-feira, no final da sua participação nas
Conferências do Estoril, que decorrem esta semana perto de Lisboa, Machungo
afirma ainda que a Procuradoria-Geral da República deve decidir sem
interferências sobre quem é o culpado, caso exista, pelas dívidas contraídas de
forma ilegal, com aval do Governo. “É desejável que o
relatório seja divulgado, não pode nem deve ser segredo. O relatório está no
poder judicial, que é quem deve determinar de quem é a culpa, se há culpados, e
como resolver o problema. Isto é uma questão judicial, e se respeitamos a
soberania e a independência, temos de deixar a Procuradoria-Geral da República
decidir”, considera Machungo, citado pelo “Observador”.
A consultora
internacional Kroll entregou, em Maio, o relatório sobre as polémicas dívidas
da Ematum, ProIndicus e MAM à Procuradoria-Geral da República, devendo ser
publicado um sumário com as conclusões nas próximas semanas.
A realização
e divulgação desse relatório é uma das condições impostas pelo Fundo Monetário
Internacional (FMI) e pelo Banco Mundial (BM) para a retoma das conversações
que poderão levar à continuação da ajuda financeira a Moçambique, que neste
momento enfrenta uma crise económica, no seguimento da divulgação das dívidas
não reportadas ao FMI e à Assembleia da República, e consequente corte do
financiamento internacional.
“Moçambique
está a recuperar”
Mário
Machungo “Moçambique está a recuperar, embora
lentamente, mas tem perspectivas futuras promissoras a médio prazo, com gás e
outras matérias-primas como o carvão”, disse Machungo, vincando que “sem
dúvida o país vai conseguir recuperar”. O Banco Mundial, apontou, “já retomou
os financiamentos a Moçambique em muitos projectos, sobretudo sociais, não
ainda ao Orçamento, é certo, mas as outras instituições e outros países que
financiavam certas actividades sociais já retomaram esses financiamentos”. Machungo
mostra-se optimista quando à recuperação da economia nacional. Diz, inclusive,
que já há sinais de retoma da economia e que, aos poucos, os parceiros do país
estão a retomar o apoio.
Para o
antigo governante, “isso é extremamente importante,
porque abre perspectivas de que o mundo e os principais parceiros pensam que há
uma saída para esta situação, para Moçambique poder resolver os problemas,
cumprir as suas obrigações e receber o apoio necessário para o
desenvolvimento”.

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