Mandato
de Michel Temer pode ser encerrado pela Justiça Eleitoral
O Tribunal
Superior Eleitoral (TSE) retoma, hoje, julgamento que pede cassação da chapa
Dilma-Temer (lista oficial de candidatos a cargos electivos), sob acusação de
abuso de poder político e económico nas eleições de 2014.
Independentemente
do inquérito sobre a delação do empresário da JBS, no caso Lava Jato, o mandato
de Michel Temer pode ser encerrado pela Justiça Eleitoral.
São quatro
acções que pedem a cassação da chapa Dilma-Temer por abuso de poder político e
económico nas eleições de 2014.Um julgamento para ficar na história, escreve o
Globo. No banco dos réus, a chapa vencedora da eleição presidencial.
Os sete
ministros vão julgar se, de facto, os candidatos foram eleitos graças a um
esquema bilionário de financiamento de campanha por meio de propina. E se
ganharam a eleição porque não jogaram limpo, lesando a democracia, como está na
acusação apresentada pelo Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) logo
após a eleição, em Dezembro de 2014.
O partido
também acusa Dilma e Temer de uso abusivo da cadeia de rádio e TV e de uso
indevido de pesquisas feitas por órgãos públicos. A punição prevista nesse tipo
de acção é a perda do mandato e o impedimento de se candidatar por oito anos.
Como Dilma
Rousseff já não é mais presidente desde que o mandato dela foi cassado no
processo de impeachment de 2016, em caso de
condenação na acção no TSE, ela poderá, no máximo, perder os direitos
políticos, que foram mantidos pelos parlamentares. Sendo assim, quem mais tem a
perder é Michel Temer, que fica sem o mandato em caso de condenação.
A defesa do
Presidente argumenta que ele não pode ser punido porque não era responsável
pela captação de recursos na campanha. Por isso, os advogados esperam que as
condutas de Temer e de Dilma sejam separadas, que Temer preserve a cadeira da
Presidência da República, e não fique inelegível.
O Ministério
Público já opinou em parecer enviado ao TSE pela cassação da chapa. O
procurador Nicolao Dino afirma que a separação é inviável. Para o procurador, é
incabível a cassação de um sem que tal medida também atinja o outro, vice na
mesma chapa.
O Ministério
Público sugere que Dilma se torne inelegível e que Temer perca o cargo. O
procurador afirma que não existem elementos nos autos que liguem Temer ao
financiamento ilícito da chapa, e que sem responsabilidade pessoal ele não
poder ficar inelegível. Mas que ele foi beneficiado por uma campanha financiada
ilicitamente, então deveria perder o mandato, já que a lei prevê que a cassação
quando o candidato foi “diretamente beneficiado pela interferência do poder
económico ou pelo desvio ou abuso do poder de autoridade”.

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