Presidente da Republica Filipe Jacinto Nyussi envolvido em Escandalos
Abduremane
Lino de Almeida chegou à quarta sessão do Tribunal Judicial de KaMpfumo por
volta das 10 horas para, no banco dos réus, responder pela acusação de abuso de
funções e pagamento de remunerações indevidas.
Perante o
juiz João Guilherme, Abduremane Lino de Almeia reconheceu os factos mas disse
de forma insistente que a viagem aconteceu em cumprimento de uma decisão do Presidente
da República, Filipe Nyusi.
O caso data
de Setembro de 2015, quando o então Ministro da Justiça, Assuntos
Constitucionais e Religiosos viajou à Meca, cidade da Arábia Saudita
considerada a mais sagrada no mundo para os muçulmanos, na companhia de três
líderes religiosos, sem vínculo com o Estado, com todas as despesas pegas, num
valor total de um milhão, cento e cinquenta e seis mil e oitocentos e onze
meticais.
Em sua
defesa, Abduremane Lino de Almeia disse o que passamos a citar:
“Em 2015, no fim do Ramadão, fui chamado pelo
Presidente que disse que era normal que líderes religiosos viajassem em
peregrinação a Meca e que naquele ano não seria diferente. Mandatou-me
seleccionar seis pessoas para viajarem comigo, estando conscientes que viajavam
em nome do Presidente da República. (Eu) disse que a viagem não estava
planificada no orçamento, mas ele disse que criou o ministério dos Assuntos
Religiosos para tratar também desses assuntos”, fim de citação.
E por falta
de experiência sobre os critérios de selecção das pessoas e fundos do orçamento
para custear as despesas, o ex-ministro diz que solicitou apoio pelo que diz o
que passamos a citar:
“Decidi
dividir o mal pelas aldeias. Remeti a selecção dos líderes religiosos à chefe da
bancada parlamentar da Frelimo. Pedi assessoria à comunidade islâmica e porque
a viagem não estava orçamentada fui ao terreno para pedir patrocínio. O MBS
disse que poderia assegurar uma pessoa e o Hotel Afrin garantiu apoio para duas
pessoas para viajarem de Maputo a Meca. Mas as pessoas vinham de Nampula e o
ministério teve de cobrir a despesa da sua viagem”, Fim de citação.
Abduremane
Lino de Almeia é acusado ainda de ter ordenado o pagamento para si de 100 por
cento das ajudas de custo, mais de 7 mil dólares quando devia ter recebido
apenas três.
A audiência
foi suspensa e continua no dia 14 de Junho, data em que serão ouvidas três
testemunhas de defesa, entre elas, a Ministra da Presidência para Assuntos da
Casa Civil e um membro da Comunidade Islâmica.

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