Acusados
de desviar fundos no Ministério da Defesa dizem que suas contas eram usadas por
terceiros
Uma história
de amor e traição, uma crónica de um mal que pode dividir laços de irmandade…
revelações despidas num banco de tribunal! Três dos cinco réus ouvidos ontem no
Judicial da Cidade de Maputo tinham relações amorosas com um funcionário do
Ministério da Defesa. Daí o seu envolvimento no desvio de fundos da
instituição. A quarta arguida era namorada de outro funcionário. Mas existe
ainda o jovem de 25 anos que era irmão deste mesmo homem da Defesa.
Dos réus,
destacam se, duas mulheres que tiveram relações amorosas com um dos
funcionários do Ministério, que também está a ser julgado. Admitem que
receberam dinheiro deste, uma, por via de mesada, já que tinham um filho
juntos, e a outra diz que o mesmo parceiro revelou não poder receber salário na
sua conta bancária, daí ter solicitado “por emprestado” a conta da parceira.
Ela cedeu o número, mas o cartão continuava na sua posse. Levantava o dinheiro
que era canalizado na sua conta e devolvia em mão ao “dono”, funcionário da
Defesa. Entretanto, recebia desta mesma pessoa uma verba para ajudar a custear
as despesas, porque da relação dos dois resultou em dois filhos.
Mas a esposa
deste mesmo funcionário também responde em tribunal, pois a sua conta foi usada
no esquema de desvios. Justifica que o seu cartão de banco estava na posse do
marido de 2010 a 2015, período em que foram tirados indevidamente 36 milhões de
meticais no Ministério da Defesa.
Já um
segundo funcionário do mesmo ministério teve uma relação com uma jovem entre
2009 e 2014. Terá solicitado “por emprestado” o
cartão da sua parceira, tendo usado a conta desta de 2012 a 2014. Sucede que a
conta bancária desde jovem recebeu, também, dinheiro indevido, vindo da Defesa.
Na mesma situação teria ficado o irmão deste mesmo funcionário do ministério,
que deu seu cartão ao irmão e a sua conta é, hoje, apontada como uma das que
recebeu dinheiro do Estado.
Além do
total de nove pessoas que estão no banco dos réus, existem outras envolvidas no
mesmo esquema que estão foragidas. A defesa diz que não pode fazer qualquer pronunciamento
agora, pois seria prematuro para a fase em que o processo se encontra.
Judicial da
capital ouve hoje quatro funcionários da defesa implicados
No banco dos
réus estão nove réus. Foram ouvidos cinco, que, tal como dissemos, não têm ligação
com o Ministério da Defesa Nacional. Os quatro que eram quadros do Comando do
Exército das Forças Armadas, estes, sim, Foram ontem, em sede do Judicial da
Cidade de Maputo. Dois destes são apontados como os que adulteravam o número de
efectivos para que fossem pagos salários até a pessoas que não fazem parte do
Ministério da Defesa. São estes mesmos que são apontados pelos co-réus de terem
usado contas de suas namoradas, esposa e irmão.
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