Moçambique envolvido em mais um caso de corrupção
A Odebrecht terá pago 900 mil dólares de subornos em Moçambique, entre os
anos 2011 e 2014, para ganhar concursos de obras públicas. Os nomes dos
beneficiários do suborno ainda não foram revelados e, desta vez, a justiça
americana não fala da existência de um “agente C”, a designação da figura que,
no caso Embraer, facilitou o negócio da venda de duas aeronaves à companhia de
bandeira, a LAM, e recebeu 800 mil dólares.
Mais ainda, o departamento da justiça americana diz que não tem informações
sobre os benefícios contratuais que a construtora brasileira terá ganho em
Moçambique em troca dos 900 mil dólares. Porém, é público que a Odebrecht foi
responsável pela construção do Aeroporto Internacional de Nacala, avaliado em
mais de 200 milhões de dólares. É o primeiro construído após a independência e
abriu ao tráfego aéreo em Dezembro de 2014, com uma capacidade para atender 500
mil passageiros e receber cinco mil toneladas de carga por ano.
A construtora brasileira foi ainda seleccionada para executar o BRT na
cidade de Maputo, um projecto avaliado em 225 milhões de dólares e que consiste
na construção de corredores para o rápido escoamento de autocarros de
passageiros. Entretanto, o financiamento para este projecto está em
reavaliação, conforme noticiou a imprensa brasileira citando fontes do governo
de Michel Temer.
As informações sobre corrupção envolvendo a Odebrecht e Moçambique surgem
semanas depois da divulgação de um outro caso de pagamento de subornos a
moçambicanos por uma empresa brasileira. Trata-se da Embraer, a fabricante de
aviões que pagou 800 mil dólares a José Viegas e Mateus Zimba no negócio da
venda de duas aeronaves à companhia de bandeira, LAM. À data dos factos, José
Viegas era PCA da LAM e Mateus Zimba trabalhava para a petroquímica sul-africana
Sasol. Mas Moçambique não é o único país africano onde a Odebrecht pagou
subornos para ganhar empreitadas. Em Angola, país onde a construtora brasileira
é o maior empregador, os subornos pagos rondam os 50 milhões de dólares.
Moçambique e Angola constam de uma lista de 11 países onde a Odebrecht pagou o
equivalente a 439 milhões de dólares em subornos. O valor exclui as centenas de
milhões de dólares que a empresa pagou dentro do Brasil a vários dirigentes
políticos.
Multa definitiva só em Abril de 2017
O valor final da multa a pagar ainda não foi fechado e só será anunciado em
Abril do próximo ano, quando as autoridades americanas e brasileiras concluírem
a análise das contas da construtora Odebrecht. Por enquanto, o governo
norte-americano diz que a Odebrecht concordou que o valor apropriado para a
multa seriam 4,5 mil milhões de dólares, mas a empresa brasileira afirmou ser
capaz de pagar no máximo 2,6 mil milhões de dólares ao Brasil, Estados Unidos e
Suíça. Caso não pague a multa ou deixe de colaborar com as investigações, a
empresa e seus executivos podem sofrer sanções ainda mais duras. No caso dos
EUA, os procuradores podem levar o caso para a justiça e pedir que a empresa
seja banida do país, além de solicitar que seus executivos sejam extraditados,
para que cumpram pena em prisões americanas.
Biliões de dólares para travar as investigações
A justiça americana diz tratar-se da maior punição da história, para um
caso global de corrupção: são no mínimo 800 milhões de dólares que a Odebrecht terá
de pagar aos EUA e à suíça como condição para o encerramento das investigações
de corrupção.
O valor será retirado da multa de 3,5 mil milhões de dólares prevista nos
acordos que a Odebrecht e a Braskem fecharam no Brasil pela sua participação no
esquema de corrupção exposto pela operação Lava Jato.
Até aqui, não existe nenhuma denúncia de pagamento de subornos na Suíça e
nos EUA. Ainda assim, as leis dos dois países permitem que as autoridades
locais processem empresas estrangeiras por actos de corrupção ocorridos em
outras nações, desde que as companhias tenham algum vínculo com a Suíça ou com
os EUA.
No caso suíço, contas no país teriam sido usadas pela Odebrecht para
transferir dinheiro destinado ou oriundo de subornos.
Nos EUA, dois funcionários da Odebrecht teriam actuado em Miami em
projectos ligados a esquemas de corrupção. As autoridades americanas dizem
ainda que algumas das empresas usadas pela companhia para manter e distribuir
dinheiro não contabilizado foram criadas ou eram operadas por indivíduos nos
Estados Unidos.

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